Estima-se que, antes da Guerra, Natal tinha 40.000 habitantes; depois da guerra, não só a população dobrou para quase 80.000 habitantes, mas a cidade também teve melhorias na infraestrutura e um aeroporto (o aeroporto de Parnamirim).
Os americanos só entraram na Guerra em 7 de dezembro de 1941, quando os japoneses atacaram Pearl Harbor; no entanto, desde a eclosão do conflito, em 1939, os americanos observavam com preocupação a expansão das potências do Eixo. Os estrategistas americanos estavam preocupados com um eventual movimento do Eixo em direção ao continente americano; desde 1940, italianos e alemães estavam ocupando posições no Norte da África; o próximo passo poderia ser a invasão da América do Sul. Em 1939, o Major Delos C. Emmons, comandante da Força Aérea dos EUA, sobrevoou a costa do Nordeste brasileiro e concluiu que Natal era o ponto mais estratégico, tanto para uma invasão alemã quanto para os Aliados usarem como local de apoio às operações na África.
Franklin D. Roosevelt (no banco da frente) e Getúlio Vargas (no banco de trás) visitam Parnamirim
Os EUA ainda não estavam em guerra e, para não criar tensões diplomáticas, decidiram criar um Programa de Desenvolvimento de Aeródromos; para evitar o envolvimento direto do governo americano, a companhia aérea PanAm foi a co-signatária do acordo. O primeiro avião a pousar em Parnamirim foi o "Numgesser-et-Coli", um monomotor Breguet-19, pilotado por Dieu Coster et Le Brix, em 14 de outubro de 1927; antes disso, apenas aquaplanos chegavam a Natal, nas águas do Rio Potengi. Segundo Clyde Smith Junior, este foi em si um voo histórico, pois foi o primeiro voo interatlântico na direção Leste-Oeste. Não havia um aeroporto, no entanto; em vez disso, havia pouco mais que a pista.
Com financiamento do governo americano, o "Campo de Parnamirim" foi construído. Tornou-se a maior base dos EUA fora do território americano. Não apenas o aeroporto, mas também a infraestrutura (estradas, moradias, etc.) foi construída do chão. Milhares de brasileiros migraram para Natal, em busca de trabalho. Também, soldados brasileiros foram enviados para as bases do Exército e da Marinha. Esses movimentos explicam o crescimento populacional durante o período.
Após a entrada dos EUA na guerra, não houve mais necessidade de atuações diplomáticas. Em 11 de dezembro de 1941, uma frota da Marinha dos EUA composta por 9 aeronaves PB4 Catalina e uma Clemson chegou a Natal; duas semanas depois, 50 fuzileiros navais chegaram para patrulhar a base. Estima-se que, durante a Guerra, entre 3.000 e 5.000 americanos estavam localizados em Parnamirim. Também, dezenas de milhares de americanos e britânicos passaram por Natal, em trânsito. Parnamirim era o aeroporto mais movimentado do mundo; voos decolavam e pousavam a cada três minutos.
A pedido do presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt, um encontro entre ele e o presidente brasileiro Getúlio Vargas ocorreu em Natal, em 27 de janeiro de 1943. Os presidentes visitaram as bases da Força Aérea, Marinha e Exército. Este encontro consolidou as relações entre o Brasil e os EUA; em 1944, o Brasil enviou uma tropa expedicionária para lutar na Europa.
Devido à sua importância na guerra, o Campo de Parnamirim foi chamado de Trampolim para a Vitória.
MATERIAL DA REVISTA “RN/ECONÔMICO”, Nº 124, JUNHO/JULHO 1981, PÁGS. 12 a 16.
Segundo o pesquisador da história de Caicó, Benedito Alves dos Santos, o povoamento inicial da cidade está íntima e inseparavelmente ligado à de toda a região seridoense e à de alguns municípios do Estado da Paraíba. Entretanto, é de crer-se que os fundamentos iniciais da colonização tenham sido lançados por volta de 1700, pelos batedores paraibanos, que chegaram à região para darem caça aos índios caicós que habitavam nas proximidades da confluência do Rio Barra Nova com o Seridó.
Com a expulsão dos indígenas, vieram os plantadores de fazendas, ajudados pelo negro, continuar a obra de desbravamento, esquadrinhando o território e fazendo surgir os primeiros núcleos demográficos, fundamentalmente ligados à criação de gado bovino. A povoação era conhecida em 1748, conforme é citada através de uma carta dirigida a Dom José Tomáz de Melo, governador de Pernambuco, datada de 1787 e subscrita pelo desembargador Antônio Felipe Soares de Andrade Brederodes, defendendo a elevação da povoação ao predicamento de vila. A região pertencia à freguesia de Piancó, Paraíba.
Catedral de Santana, Caicó, em 1981.
A esse tempo já a povoação era sede de distrito administrativo, criado por alvará de 1748 e também freguesia que fora criada em 15 de abril de 1748. De par com a denominação de Seridó existia também o topónimo Caicó, que vem citado em um documento atinente à instalação da freguesia, de 1748, registrado no Livro de Tombo da Catedral de Caicó e também mencionado em uma concessão de sesmaria feita em 7 de setembro de 1736, ao capitão Inácio Gomes da Câmara.
LENDAS
São várias as lendas que se conta sobre o nascimento do município, todas de uma beleza infinita, mas a mais interessante e a mais bela de todas é a colhida por Manuel Dantas: “Quando o sertão era virgem, a tribo dos Caicós, célebre pela sua ferocidade, julgava-se invencível, porque Tupan vivia ali, incarnado num touro bravio que habitava um intrincado mufumbal, existente num local onde está hoje edificada a cidade de Caicó. Destroçada a tribo, permaneceu intacto o misterioso mufumba, morada de um Deus, mesmo selvagem.
Sertão do Seridó – Foto – Liberanilson Martins da Costa, de São José do Seridó-RN.
Certo dia, um vaqueiro inexperto, penetrando no mufumbal, viu-se de repente, atacado pelo touro sagrado, que iria, indubitavelmente, matá-lo. Rapidamente inspirado, o vaqueiro fez o voto a Nossa Senhora Santana de construir ali uma capela, se o livrasse de tamanho perigo. Como por encanto, o touro desapareceu. O vaqueiro destruiu a mata e iniciou, logo, a construção da capela. O ano era seco e a única aguada existente era a de um poço do rio Seridó. O vaqueiro fez novo voto a Santana para o poço não secar antes de concluída a construção da capela. O poço de Santana, como ficou desde então denominado, nunca mais secou.
Reza a lenda que o espírito do Deus índio, expulso do mufumbal, foi se abrigar no poço, encarnando-se no corpo de uma serpente enorme que destruirá a cidade, ou quando o poço secar, ou quando as águas do rio, numa cheia pavorosa, chegarem até o altar-mor da matriz (hoje catedral) de Caicó onde se venera a imagem da mãe de Nossa Senhora.
ORIGENS
Belezas naturais da região do seridó – Foto – LiberanilsonMartins da Costa, de São José do Seridó-RN.
O conhecimento do território ou município só pôde ser feito após os índios Caicós se dispersarem pelo Seridó. Disso resultou o propósito de colonização por parte dos primeiros desbravadores. Existem algumas crônicas escritas que dão conta da existência de uma fazenda fundada em 1624 por José Francisco Rangel, porém é muito racional que se firme a data da primeira, entrada um pouco antes de 1700, já que os batedores paraibanos conquistaram definitivamente com a expulsão dos índios. Aos primeiros descobridores do Seridó não passou despercebida a riqueza da terra em pastagens e aguadas, surgindo daí a ideia das primeiras fazendas.
Requeridas as primeiras datas e espalhada a notícia da “limpeza” (o índio era empecilho ao domínio dos povoadores) de uma nova paragem propícia à criação, acorrem os caçadores de terras paraibanos, pernambucanos e até mesmo alguns portugueses de nascimento, a fim de situarem seus gados nas novas áreas dominadas. Daí surgem as primeiras fazendas e a multiplicação dos núcleos demográficos por toda a ribeira, registrando-se os nomes do capitão Inácio Gomes da Câmara, Manoel de Souza Forte, tenente José Gomes Pereira como os mais antigos povoadores conhecidos.
O Seridó – Foto – Liberanilson Martins da Costa, de São José do Seridó-RN.
O RECONHECIMENTO
predominância da antiga povoação do Seridó. que se manifestava principalmente pela opulência das fazendas de gado da região seridoense, começou a ser reconhecida pelos poderes políticos e eclesiásticos a partir de 1748, ano em que foi constituída em sede de distrito administrativo e da freguesia. A criação do município veio um pouco depois, por alvará
ou ordem governamental de 28 de abril de 1788. elevando-se a aludida povoação ao predicamento de vila, isso, ao tempo em que o Estado era governado pelo Senado da Câmara de Natal, presidido por João Barbosa de Gouveia. A instalação do município teve lugar a 31 de julho de 1788.
Centro de Caicó em 1981.
Nos primeiros tempos a região do Seridó, Caicó, inclusive, esteve sujeita ou ligada ao Estado da Paraíba, pelo menos no que se relaciona com a vida religiosa, de onde se desligou em 1748. Dentro do Estado do Rio Grande do Norte, deve ter pertencido ao município de Natal. Primitivamente, Caicó esteve ligado à Comarca da Paraíba, até 1818 quando passou a pertencer ao Rio Grande do Norte, da qual se desligou para fazer parte da Comarca de Assu (Princesa), até a criação da Comarca do Seridó, pela Lei Provincial número 365, de 19 de julho de 1858.
A designação da Comarca foi mudada para Caicó, por Decreto número 33, de 7 do julho de 1890. O João Valentino Dantas Pinagé. No tocante à divisão eclesiástica, Caicó pertenceu algum tempo à Freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, de Piancó (PB) de onde foi desmembrada em 15 de abril de 1748, por ato do visitador Manuel Machado Freire, de ordem do reverendíssimo Frei Luiz de Santa Tereza, Bispo de Pernambuco, para constituir-se Paróquia com a invocação de Nossa Senhora de Santana, na qual estavam abrangidos, além da Ribeira do Seridó, Patos e Cuité, na Paraíba. A Freguesia foi instalada pelo padre Francisco Alves Maia. cura da Freguesia, em 26 de julho do mesmo ano de 1748, abrange atualmente, apenas o município de Caicó.
FATOS MARCANTES
Uma pesquisa feita por alunos do CERES, Antônia Figueiredo, Maria Bernadete, Marly Medeiros, Francisca Neuza, Francisca Porfírio e Maria Sueli, mostra os primeiros fatos e acontecimentos importantes para a história do município.
Pórtico defronte a Catedral de Santana – Foto – Rostand Medeiros.
Segundo a pesquisa o movimento do “Quebra Quilo” aco9nteceu em 5 de dezembro de 1874 e foi contra a aceitação da introdução do novo Sistema Métrico Decimal. Caicó foi iluminada pela primeira vez em 1909, com lampiões a querosene, pelo dr. Jose Augusto Monteiro e a 21 de abril de 1925 foi inaugurada a luz elétrica, sendo na época prefeito o senhor Joel Damasceno.
Já o primeiro jornal nascido em Caicó chamou-se “O Povo” e o primeiro número circulou no dia 4 de março de 1889, pertencente a José Renaut. Tinha a direção do dr. Diógenes Santiago da Nóbrega e de Olegário Vale.
O primeiro rádio que chegou a Caicó foi em setembro de 1932 e pertencia a uma sociedade. Já o primeiro telegrama foi recebido pelo senhor Gedeão Delfino, então administrador da Mesa de Rendas. Na época as e encomendas dos Correios e Telégrafos era enviada de Natal a Caicó por meio de burros e cavalos. Mas em 1928, com a inauguração de uma linha rodoviária ligando Natal a Caicó, esse transporte passou a ser feito por ônibus de passageiros, conhecidos como “sopa”, e a agência dos Correios passou a receber a correspondência com maior rapidez e assiduidade.
O primeiro telegrafista foi José Antunes Torres, que exerceu o cargo, ininterruptamente, desde 19 de março de 1917 a 15 de agosto de 1932. O primeiro avião que sobrevoou Caicó era pilotado pelo francês André Depecker e trazia como passageiro o dr. Juvenal Lamartine, Governador do Estado e George Piron. O campo de aviação, situado no sítio “Baixa do Arroz” foi inaugurado em 19 de março de 1917. O primeiro automóvel que chegou à cidade foi durante o carnaval de 1919 e a primeira pessoa a avistar o auto foi Daniel Diniz. O proprietário era Coriolano de Medeiros, natural de Natal.
Interessante texto do historiador Luís da Câmara Cascudo escreve sobre Caicó no jornal natalense “A República” em 26 de março de 1929.
Manuel Batista Pereira foi o construtor do primeiro Mercado Público, mais ou menos em 1860, no local onde hoje está edificada a Praça da Liberdade. Na falta de uma estação de rádio, o primeiro alto-falante a transmitir informações em Caicó pertenceu ao Cel. Celso Dantas tendo sido ouvido pela primeira vez a 8 de julho de 1938. Em 1876 a cidade teve sua primeira banda de música, que foi organizada pelo maestro Tertuliano, mas a primeira retreta, realizada na avenida Seridó, realizou-se a primeiro de janeiro de 1908 e foi organizada pelo professor Manuel Fernandes.
A 24 de dezembro de 1938 chegava à cidade o primeiro “Snooker”(sinuca), trazido pelo cel. Celso Dantas. Em 1906 chegava mais uma diversão à Caicó: era o carrossel de Francisco Azevedo. Na Festa de Santana de 1910, no prédio da Prefeitura Municipal, funcionou a primeira sessão de cinema mudo. Só no dia 27 de dezembro do ano de 1936 o cel. Celso Dantas inaugurava o cinema falado moderno. No dia 22 de janeiro de 1922 acontecia o primeiro jogo oficial de futebol entre as equipes do Caicó Futebol Clube e Brasil Esporte Clube e só três anos mais tarde, a 21 de abril de 1925, jogava pela primeira vez na cidade, um time de fora.
Primeira turma de seminaristas do Seminário Diocesano de Caicó.
O dr. Washington Luiz foi o primeiro presidente a visitar a cidade. Isso aconteceu no dia 6 de agosto de 1926 e o dr. Pedro Velho foi o primeiro governador, exatamente a 5 de julho de 1901.
VILA DO PRÍNCIPE
A sede municipal teve inicialmente o nome de Seridó, passou, quando da criação do município, à denominação de Vila Nova do Príncipe, conservada pela Lei número 612, de 1868, que elevou à categoria de cidade. A velha denominação de Seridó, voltou a ser imposta pelo decreto número 12, de 1 de fevereiro de 1890 e, só em 7 de julho do mesmo ano é que recebeu o nome atual.
Castelo de Engady em foto de 2015 – Foto – Rostand Medeiros.
Caicó está edificada entre os rios Barra Nova e Seridó, que correm bem próximos, sendo caracterizados pelas seguintes coordenadas geográficas: Latitude Sul 6o 27′ 00″; Longitude W. Gr. 37° 02′ 00″. Rumo (em relação a capital) 030. Distância da Capital do Estado, em linha reta,
218 quilômetros e altitude de 157 metros e limita-se com algumas cidades desse Estado e com uma da Paraíba. São seus limites: ao Norte, Jucurutu; a Leste, Florânia, Cruzeta, Jardim do Seridó e Ouro Branco; ao Sul, Santa Luzia (PB), São João do Sabugi, e Serra Negra do Norte; a Oeste com Timbaúba dos Batistas, Jardim de Piranhas e São Fernando.
Antigo jornal de Caicó informando sobre o ataque de Lampião a Mossoró em junho de 1927.
Nenhum plano urbanístico orientou a construção da cidade e, nem tampouco existe qualquer trabalho de sistematização, a não ser o relativo cuidado com que a administração municipal orienta as novas construções. Entretanto o traçado das ruas é mais ou menos regular, apesar do acidentado terreno. As construções são na maioria do tipo colonial e de um meio termo entre colonial e moderno. Nota-se, entretanto, nas construções recentes, uma predominância
de linhas tipicamente modernas.
LIDERANÇAS
A população de Caicó, pelos seus líderes, nunca deixou de tomar parte nos acontecimentos que empolgaram a vida nacional. Em fins de 1831, formou-se em Caicó uma expedição guerreira para dar combate ao coronel de milícias Joaquim Pinto Madeira, que havia se assenhorado da Província da Paraíba.
1955 – Visita a Caicó do candidato a Presidente da República Juscelino Kubitschek.
O comando que foi composto de figuras da maior representação da zona, deu mostras de grande heroísmo, batendo-se valentemente em diversos encontros, sob a chefia do cel. José Teixeira, destacando-se pela bravura de que deram mostras o Alferes Canuto e os soldados Firmeza, Zuza da Cachoeira e Tomaz Cazumba. Quando da “Guerra do Paraguai”, formou-se também em Caicó um corpo de voluntários, a fim de combater em defesa da dignidade nacional, tendo por chefes José Bernardo e Manuel Basílio de Araújo. Esses voluntários, chegando ao Rio de Janeiro, foram dispensados de combater, regressando em seguida a terra natal. Também na Revolução Comunista, em 1935, Caicó armou um contingente de paisanos sob as ordens do senador Dinarte Mariz, Monsenhor Walfredo Gurgel e Eduardo Gurgel de Araújo, a fim de dar combate aos comunistas que haviam ingressado no interior. Esse contingente, no encontro da Serra do Doutor, conseguiu bater valentemente os revoltosos, numa emboscada estratégica, saindo plenamente vitorioso.
Governador Lavoisier Maia descerra uma placa na inauguração do 1º Batalhão de Engenharia e Construção (1º BEC) de Caicó..
Na política, floresceram vários partidos em Caicó, tanto monarquistas como republicanos, sobressaindo-se os chefes políticos locais pela preponderância que sempre exerceram no estado. Entre os grandes chefes políticos históricos, citam-se o padre Francisco Brito Guerra, José Bernardo de Medeiros, Joaquim Martiniano Pereira e Gorgônio Ambrósio da Nóbrega, José Augusto Bezerra de Medeiros e Dinarte de Medeiros Mariz.
Quando a luta pela libertação dos escravos ecoou pelo Brasil inteiro, organizou-se em Caicó uma comissão libertadora, dirigida por José Bernardo de Medeiros, Olegário Gonçalves de Medeiros Vale, Manuel Augusto Bezerra de Araújo, José Batista dos Santos Lula, padre Amaro Castor, Lindolfo Adolfo de Araújo, Salviano Batista de Araújo e outros. Esse comitê, empreendeu festas públicas em prol do movimento libertador e solenizava as cerimônias de alforria. Diz-se que ao ser decretada a Lei da Abolição da escravatura, já existiam poucos escravos em Caicó.
“Nenhum conteúdo desse site, independente da página, pode ser usado, alterado ou compartilhado (além das permitidas por meio de botões sociais e pop-ups específicos) sem a permissão do autor, estando sujeito à Lei de Direitos Autorais n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998”.
O assassinato do Dr. Carlindo de Souza Dantas em 1967, um médico admirado na cidade de Caicó, RN, cuja morte o transformou em um "milagreiro de cemitério". A pesquisa considera como a sua figura, inicialmente pautada por práticas caridosas e políticas, passou a ser venerada após sua morte trágica, gerando devoções populares que divergem das tradições católicas formais. Assim, o texto explora a construção cultural da santificação de Carlindo e as manifestações religiosas que permeiam o imaginário coletivo da região do Seridó.
Pontos Chave
O Dr. Carlindo de Souza Dantas era um médico reconhecido e político em Caicó, conhecido por atender os pobres.
Em 1967, Carlindo foi assassinado sob circunstâncias misteriosas, aumentando sua popularidade entre os devotos.
Seu túmulo se tornou um local de devoção, repleto de ex-votos que representam graças alcançadas pelos fiéis.
A figura de Carlindo se transforma em um "milagreiro de cemitério", refletindo práticas de religiosidade não canonizadas.
A pesquisa destaca como a morte trágica pode facilitar a santificação popular, mesmo em face de um passado controverso.
As devoções a Carlindo Dantas desafiam os limites do catolicismo oficial, permitindo que os fiéis acessem um sagrado mais pessoal e acessível.
A devoção a Carlindo é perpetuada pela oralidade e pelas experiências comuns de fé e intercessão dos devotos.
Temos encontrado poucas informações sobre o nosso Senador, hoje, nome de Município do Rio Grande do Norte. Por isso, transponho para cá uma biografia, que faz parte do Dicionário Histórico –Biográfico Brasileiro – DHBB, da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC), que me enviou seu neto George Avelino Filho, funcionário da FGV.
José Georgino Alves e Sousa Avelino nasceu em São José de Angicos (na verdade Angicos, RN) no dia 31 de Julho de 1888, filho do Jornalista Pedro Celestino da Costa Avelino, fundador dos Jornais A Gazeta do Comércio e Diário da Tarde, e de Maria das Neves Alves de Sousa Avelino. Fez os estudos primários na Escola Modelo de Natal. Seguiu o curso de humanidades no Atheneu Norte-Riograndense, prestando exames finais no Liceu Paraibano.
Como seu pai, dedicou-se ao jornalismo, fundando em 1909 o jornal A Pátria, em Recife. No ano seguinte, partiu para o território do Acre, onde administrou o departamento do Juruá. Em 1911, diplomou-se como Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro.
Georgino Avelino integrou a representação consular do país, exercendo, a partir de 1912, as funções de adido consular na cidade italiana de Gênova. Ali fez o curso de Civilização Antiga e Arqueologia.
Como jornalista, apoiou a candidatura de Artur Bernardes, vitorioso na campanha eleitoral à presidência da Republica em 1922. Esse apoio veio a lhe ser útil pouco tempo depois: em 1924, elegeu-se deputado federal pelo Rio Grande do Norte, graças à pressão do presidente Bernardes, que obteve a inclusão de seu nome na chapa oficial do estado para a 12ª legislatura federal. Participou dos trabalhos parlamentares até 1926.
Após o triunfo da Revolução de 1930, que levou ao poder Getulio Vargas em 3 de Novembro desse ano, Georgino Avelino – ao lado de João Café Filho e de José Augusto Bezerra de Medeiros – foi vetado para ocupar postos de comando administrativo, por ser considerado, pelos militares vitoriosos, comprometido com o governo deposto do presidente Washington Luis.
Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, lutou ao lado dos paulistas, participando como voluntário do Batalhão Ferroviário. Prisioneiro das tropas federais em Santos (SP), após a derrota das forças paulistas, foi paro o Rio, onde retornou a atividade jornalística, escrevendo editoriais para diversos jornais da capital federal.
Reconciliado com Vargas, foi, no Estado Novo (1937 -1945), secretário-geral da Universidade Federal e diretor de Turismo e Propaganda da prefeitura do Distrito Federal de 1937 a 1941, durante a administração do prefeito Henrique Dodsworth. Nesse último ano, escreveu uma biografia do Duque de Caxias intitulada Caxias para a Juventude, publicada pela Imprensa Nacional.
Em Agosto de 1945, já em pleno processo de desagregação do Estado Novo, foi nomeado interventor federal no Rio Grande do Norte, sucedendo ao general Antonio Fernandes Dantas. Na manhã de 28 de Outubro, passou o cargo ao secretário-geral Dioclécio Dantas Duarte e viajou paro o Rio. No dia seguinte, Getulio Vargas foi deposto pelos chefes militares e o poder passou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) José Linhares.
As eleições marcadas em Maio por Vargas foram mantidas.
Em 2 de Dezembro, o general Eurico Gaspar Dutra, candidato do Partido Social Democrático (PSD), derrotou seu principal adversário, o brigadeiro Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional (UDN), elegendo-se presidente da República. Nesse mesmo dia, Georgino Avelino, um dos articuladores do PSD no Rio Grande do Norte, elegeu-se Senador por esse estado à Assembléia Nacional Constituinte.
Empossado em fevereiro de 1946, ocupou o cargo de primeiro-secretário da Constituinte. Com a promulgação da nova Carta (1819-1946) e a transformação da Constituinte em Congresso ordinário, exerceu seu mandato até janeiro de 1955.
Durante seu primeiro mandato como senador, foi primeiro-secretário do Senado em 1948 e em 1950, tendo a partir daí, chefiado por três anos a Comissão de Relações Exteriores.
Durante a presidência de Eurico Dutra (1946-1951), foi líder do governo no Senado.
Integrou por duas vezes – 1952 e 1954 – a delegação brasileira aos trabalhos da Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Foi reeleito Senador pelo PSD do Rio Grande do Norte em Outubro de 1954, iniciando seu segundo mandato em fevereiro de 1955. Foi membro da Comissão Executiva do seu partido para assuntos de política federal.
Fundou e dirigiu o Rio Jornal com Inácio Azevedo do Amaral e João do Rio, tendo colaborado com a Gazeta de Notícias e o Diário Carioca. Fundou a Radio Caboji (Cabugi), em Natal, e foi redator-chefe de O País. Foi ainda presidente do Banco Industrial Brasileiro e escrivão de 1º oficio da 2ª Vara da Fazenda Pública.
Além da obra citada, publicou palestras e conferencias.
Faleceu no Rio de Janeiro no dia 2 de Abril de 1959.
Foi casado com Maria Giovana Margherita Astengo Avelino de nacionalidade italiana, com que teve cinco filhos.
No dia 25 de outubro de 1927, pela Lei estadual nº 660, as mulheres brasileiras puderam, pela primeiradas. O Artigo 77 das Disposições Gerais do Capítulo XIIda referida lei determinava: “No Rio Grande do Norte poderão votar e ser votados, sem distincção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas por esta lei”. Era governador do estado José Augusto Bezerra de Medeiros, que seria substituído na administração estadual por Juvenal Lamartine de Faria no ano de 1928. Ambos eram líderes políticos do sertão inseridos nas relações oligárquicas daRepública Velha. Essa abertura política conferida às mulheres no Rio Grande do Norte é resultante das reivindicações feministas por igualdade social lideradas em âmbito nacional pela bióloga paulista Bertha Lutz (1894-1976). Ela se tornaria, a partir de 1918, “[...] uma das mais expressivas lideranças feministas na campanha pelo voto feminino e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no Brasil”. Foi através do contato com Bertha Lutz no Congresso Nacional que Juvenal Lamartine, deputado federal pelo Rio Grande do Norte no período entre 1906 e 1926, apresentou como uma das propostas da sua plataforma de governo a intenção de contar “[...] com o concurso [voto] damulher [...] na escolha daqueles que vêm representar o povo [...] e elaboram e votam a lei". vez, no Rio Grande do Norte, ter reconhecido o direito de votar e serem vota As mulheres norte-rio-grandenses não estavam totalmente inseridas no contexto nacional de reivindicações por igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas também não estavam alijadas desse processo. A tomada de consciência ocorreu quando as mulheres potiguares se tornaram pioneiras de uma importante conquista política e cidadã na história da América do Sul: o direito de poderem votar e serem votadas para cargos públicos eletivos. No mesmo ano de 1927, de acordo com a professora Maria do Nascimento Bezerra, um mês após a publicação da Lei nº 660, na cidade de Mossoró, a professora Celina Guimaraães Viana, aos 29 anos de idade, “[...] após encaminhar bem-sucedida petição reivindicando sua inclusão no rol de eleitores [...]" daquele município, tornou-se a primeira mulher habilitada a votar na América do Sul. Mas Celina Guimarães não foi a única a solicitar o direito a voto no Rio Grande do Norte naquele ano. Júlia Alves Barbosa, em Natal, fez a solicitação no mesmo dia que Celina, 27 de novembro, e teve o pedido atendido dois dias depois, enquanto o desta foi atendido no mesmo dia. É importante salientar ainda, segundo informa Rachel Soihet, que já na primeiradécada do século XX as mulheres reivindicavam o direito de voto. As pioneiras foram a advogada Myrthes de Campos, primeira mulher a ingressar na Ordem dos Advogados do Brasil e a professora LeolindaDaltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910. Ambas tiveram os pedidos negados, apesar de terem se baseado nos Artigos 69, 70 e 72 daprimeira Constituição Republicana do Brasil de 1891 e no Código Eleitoral vigente desde 1904 que, além de não excluírem em seus textos as mulheres dos conceitos de cidadania e das condições de elegibilidade, asseguravam a todos a igualdade de direitos". Apesar de, do ponto de vista eleitoral, o estado do Rio Grande do Norte ter reconhecido esta igualdade, faltava, porém, a concretização do “voto de saias”, o que ocorreu nas eleições municipais realizadas no dia 05 de abril de 1928. Em Natal votaram Antônia Fontoura, Carolina Wanderley, Júlia Barbosa e Lourdes Lamartine. Em Mossoró, além de Celina Guimarães, votaram Beatriz Leite e Eliza da Rocha Gurgel. Em Apodi as primeiras eleitoras foram Maria Salomé Diógenes e Hilda Lopes de Oliveira. Em Pau dos Ferros, Carolina Fernandes Negreiros, Clotilde Ramalho, Francisca Dantas e Joana Cacilda Bessa. Aindaem Caicó e Acari, respectivamente, Júlia Medeiros e Martha Medeiros. Além de votar, algumas mulheres, a exemplo de Júlia Alves Barbosa em Natal e Joana Cacilda de Bessa em Pau dos Ferros, foram também eleitas para o cargo de intendente municipal, equivalente a vereador atualmente." Ao interpretar a Constituição e o Código Eleitoral, o Congresso Estadual do Rio Grande do Norte, ainda no ano de 1927, favoreceu a ampliação das reivindicações pelo direito de voto e elegibilidade às mulheres em outros estados da federação, o que viria a acontecer efetivamente na década seguinte. Entrementes, num país cujas instituições republicanas ainda engatinhavam, era preciso garantir e consolidar o direito de voto das mulheres. Para tanto, foi criada em agosto de 1928 a Associação de Eleitoras Norte-Riograndenses, filiada à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada e coordenadanacionalmente por Bertha Lutz. A associação objetivava “[...] coordenar e orientar os esforços da mulher norte-riograndense, no sentido de elevar-lhe o nível de cultura e tornar-lhe mais efficiente a actuação na vida doméstica, social e política.". O propósito dessa agremiação estava em consonância com a proposta de Bertha Lutz, que “[...] propunha a formação de associações, imprescindíveis para funcionarem como elementos de pressão e para fazer frente às reações surgidas, garantindo ‘o êxito no rompimento dos tabus e preconceitos relativos à libertação da mulher". Nesse mesmo ano de 1928 Bertha Lutz fez uma visita ao Rio Grande do Norte e além de ter influenciado a fundação da associação de eleitoras, promoveu também a candidatura de Luiza Alzira prefeitura de Lajes. Juntamente com Juvenal Lamartine, governador do estado, Bertha Lutz fez uma visita ao “coronel” Miguel Teixeira de Vasconcelos, pai de Alzira, que à época, estava com 31 anos. “Esta é a mulher que estamos procurando”, teria dito Bertha Lutz à Juvenal Lamartine, afirma Heloiza Souza. Alzira Soriano se tornou a primeiraprefeita eleita da América do Sul na cidade de Lajes, com 60% dos votos válidos. Soriano à Considerando as prováveis palavras de Bertha Lutz, acima destacadas, a eleição de Alzira Soriano, bem como o pioneirismo do direito de voto conferido às mulheres no Rio Grande do Norte representaram – e representam até o presente – fatos decisivos na luta por cidadania e igualdade de direitos entre homens e mulheres no Brasil. Essas conquistas seriam institucionalizadas nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas, através do Código Eleitoral de 1932, pelo Decreto nº 21.076, que permitiu o voto feminino em todo o território nacional, o que veio a consolidar-se na Constituição de 1934. Não deve-se, porém, confundir direito de voto e elegibilidade com igualdade de direitos e cidadania plena para todas as mulheres brasileiras. Essas reivindicações ecoavam de uma parcela dada, alfabetizada, da classe média. A maioria das mulheres do país, pobres e analfabetas, continuavam sem acesso a direitos mínimos e sem cidadania plena. Para elas, o voto não representava muito. Desde que soubessem assinar o nome, mais importante seria justificar o poder político dos coronéis em troca de trabalho nas plantações de café ou de um litro de leite para minimizar a fome. população feminina esclareci Entretanto, as mulheres norte-rio-grandenses estiveram na vanguardadas conquistas políticas feministas no Brasil. Não foram, porém, as pioneiras do discurso libertário. É preciso compreender aquele momento político sob a ótica de um contexto histórico que favoreceu a ascensão das mulheres potiguares no cenário nacional. Vivia-se no Brasil da República Velha, do sistema coronelístico-oligárquico; a sociedade era moldada pelos padrões aristocráticos, mas a plástica, a sutileza e a sensibilidade das mulheres, conferiam um ar mais delicado e sutil na vida pública e na sociedade brasileiras, desprendendo, pelas vias políticas e pacíficas, as amarras sob as quais viviam as mulheres na vidadoméstica sob o julgo dos seus senhores e maridos.
Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro de 1927. Disponível impressa no acervodo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Livro de Leis e Decretos, 1927 e digitalizado no sítio do Centro de Memória da Justiça Eleitoral Professor Tarcísio Medeiros:< http://www.tre-rn.gov.br>.
SOIHET, Rachel. A pedagogia da conquista do espaço público pelas mulheres e a militância feminista de Bertha Lutz. Revista Brasileira de Educação. Campinas/SP: Autores Associados, n. 15, set/out/nov. 2000, p. 97-117. Disponível em: <http://www.anped.org.br/rbe/rbe/rbe.htm>. Acesso em: 20 nov, 2007.
BEZERRA, Maria do Nascimento. Jornal Diário de Natal, Natal, n. 07, 28 mar. 2004, 13 p. [Coleção Leituras Potiguares].
SOIHET, Rachel. Op. Cit.
BEZERRA, Maria do Nascimento. Op. Cit.
Estatutos da “Associação de Eleitoras Norte-Riograndenses”. Réplica tombada sob número 219 no Centro de Memória da Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte Professor Tarcísio Medeiros.
SOIHET, Rachel. Op. Cit.
SOUZA, Heloisa M. G. Pinheiro. Luisa Alzira Teixeira de Vasconcelos:primeira mulher eleita prefeita na América do Sul. 1. ed. Natal: UFRN/CCHLA/EDUFR. 72 p.
Luíza Alzira Soriano Teixeira foi a primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina. Tomou posse no cargo em 1º de janeiro de 1929. Viúva, Alzira Soriano disputou em 1928, aos 32 anos, as eleições para a prefeitura de Lajes, cidade do interior do Rio Grande do Norte, pelo Partido Republicano, e venceu com 60% dos votos, quando as mulheres nem sequer podiam votar.
Mas foi pouco tempo de administração, apenas sete meses. Com a Revolução de 1930, Alzira Soriano perdeu o seu mandato por não concordar com o governo de Getúlio Vargas. A responsável pela indicação de Alzira como candidata à Prefeitura de Lajes foi a advogada feminista Bertha Lutz, uma das figuras pioneiras do feminismo no Brasil.
A administração de Alzira Soriano à frente da Prefeitura de Lajes resultou na construção de novas estradas, como a que fazia a ligação entre os municípios de Cachoeira do Sapo e Jardim de Angicos. Ela também construiu mercados públicos distritais, fez escolas e cuidou da iluminação pública a motor.
Somente com a redemocratização, em 1945, Alzira Soriano voltou à vida pública, como vereadora do município de Jardim de Angicos, onde nasceu. Foi eleita por mais duas vezes consecutivas, liderando a União Democrática Nacional (UDN). Chegou à Presidência da Câmara de Vereadores mais de uma vez. Aos 67 anos, Alzira morre em 28 de maio de 1963 por complicações de um câncer.
Direito ao voto
Nas eleições convocadas por Getúlio Vargas para uma Assembleia Constituinte, nos anos de 1934 e 1935, foi eleita a primeira mulher deputada federal, Carlota Pereira de Queiroz, médica paulista. Berta Lutz, cientista e feminista, primeira suplente do Distrito Federal, assumiu o mandato em 1936.
Com muita luta na vida política, outras mulheres garantiram que, pela primeira vez, a Constituição brasileira consagrasse, entre outros aspectos, o princípio de igualdade entre os sexos, o direito do voto feminino e as garantias de proteção ao trabalho da mulher. São elas: Maria do Céu Pereira Fernandes, a primeira deputada eleita do Rio Grande do Norte, em 1934; e Almerinda Ganla, eleita entre os 40 delegados classistas (trabalhadores e empregados), em 1935.
De acordo com Ane Cajado, historiadora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Constituição Republicana de 1891 não proibia o voto feminino, pois considerava como eleitores os cidadãos brasileiros maiores de 21 anos. “A interpretação que se fazia era de considerar cidadão brasileiro apenas o homem”, explicou.
Ainda segundo a historiadora, a eleição da primeira deputada no Brasil, Carlota Pereira, “sem dúvida foi um marco da história da emancipação da mulher”. Seu mandato foi em defesa da mulher e das crianças e trabalhava por melhorias educacionais que contemplassem melhor tratamento das mulheres. Além disso, publicou uma série de trabalhos em defesa da mulher brasileira.