A CRENÇA DO AGRICULTOR
(José Florentino de Oliveira)
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O agricultor hoje em dia
Não presta muita atenção
Nos sinais da natureza
Pra fazer a previsão
Porque em vez de experiência
Prefere ouvir a ciência
E os meios de comunicação
Mas tem gente que ainda olha
Os sinais da natureza
Também faz experiência
E jura que tem certeza
Pois naqueles resultados
Sempre tem ele acertado
Com validade e destreza
Na fogueira de São João
Garrafa d’água é enterrada
Se a água aumentar
No ano vai ter chuvada
Repara a flor da craibeira
E também da aroeira
Se florou bem encopada
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Também presta atenção
No fruto da Ubiratan
Resina de catingueira
Até o canto da acauã
Também presta atenção
Qual será a posição
Da estrela Dalva de manhã
Ainda tem quem repare
Como estão os animais
Se as fêmeas estão prenhas
Dos tatus ou dos preás
Os cupins e as formigas
Se estão cheias as barrigas
As chuvas serão normais
Outros ainda apelam
E prestam bem atenção
Dia 08 de dezembro
Nossa Senhora da Conceição
Pois se chover neste dia
Iremos ter alegria
No próximo ano então
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A maior experiência
Não se faz mais hoje em dia
Era em treze de dezembro
Dia de Santa Luzia
Jejua-se faz ritual
Seis pedras limpas de sal
Põe na noite de vigília
No oitão de sua casa
Coloca seis pedras de sal
Cada pedra que derreter
Será como um sinal
Seja uma duas ou três
Indicará ser o mês
Que vai ter chuva normal
E no dia do Natal
Se tem barra tem chuvada
Dia de ano também
A barra é observada
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E se a maré der enchente
Bom inverno e certamente
Ano bom com chuvarada
Ainda se presta atenção
Na lua cheia de janeiro
Se nascer clara ou amarela
Será sinal verdadeiro
De ano bom com enchente
E fica assim contente
Plantando até no terreiro
Tudo isso nossa gente
Ainda presta atenção
Apesar dos tempos novos
Do rádio e televisão
De Deus nunca perde a crença
E mesmo com a ciência
Creio no que diz o povão
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